• Vidic: 12 de fevereiro, 1981. Entrevista Qualitativa Pessoal com o Indivíduo Um, na pesquisa de ancestrais relacionados à Aveline De Grand Pré [sic]. Como está se sentindo? Algum efeito colateral?
  • Indivíduo 1: Não muitos, tirando as dores de cabeças. Tem piorado desde que comecei a ficar mais tempo. Mas… eu não quero parar. Gosto dela. Quero saber o que ela faz a seguir.
  • Vidic: E como é, receber as memórias dela?
  • Indivíduo 1: Tão diferente. O Animus, quero dizer. O passado. Pri... pri... primeiramente foi confuso. Distrativo. Como Nova Orleans. O fedor. Eu não tava esperando todos os cheiros.
  • Vidic: O olfato é o sentido diretamente ligado à memória.
  • Indivíduo 1: Quando estou nas memórias dela, é como se eu pudesse sentir mais cheiros que o normal.
  • Vidic: Mulheres costumam ter o olfato mais apurado do que os homens. Fiquei imaginando como isso iria passar. Mais alguma coisa?
  • Indivíduo 1: Sim, ela é menor que eu. Mas é como se o corpo dela pudesse fazer mais.
  • Vidic: Isso surpreendeu você?
  • Indivíduo 1: No começo, sim. O pessoal do ERA vai me odiar por isso, mas azar. Eu não costumo pensar em garotas daquele jeito, escalando coisas. Minha mãe. Minhas irmãs. A sensação animal de Aveline afundando sua lâmina oculta na garganta de...
  • Vidic: Prossiga.
  • Indivíduo 1: Não parece... feminino. O que penso ser feminino. Mas ao mesmo tempo parece. O centro de gravidade dela é bem mais baixo. Isso foi uma surpresa, o quão fácil foi aterrissar. O quão firme eu estava nos pés dela... Desculpe. É difícil falar sobre isso.
  • Vidic: Não. É fascinante. Isso é o que precisamos. Experiência pura, com suas próprias palavras.
  • Indivíduo 1: Ok.
  • Vidic: Pode me contar algo sobre Gérald Blanc?
  • Indivíduo 1: O que ele tem?
  • Vidic: Ele e Aveline eram próximos, mas não fomos capazes de averiguar se ele poderia ser o seu ancestral perdido. As memórias dela sugerem algo pra você?
  • Indivíduo 1: Er...
  • Vidic: Isso deixa você desconfortável? Lembre-se, essas são as memórias DELA. Você só está assistindo. Não é nem mesmo atuação. Você é um pesquisador.
  • Indivíduo 1: Como você disse, eu não a vi... consumar... qualquer coisa. Isso seria... De qualquer forma, eu acho que talvez ela tivesse confusa.
  • Vidic: Oh?
  • Indivíduo 1: Bem, uhn, primeiramente, eu não tenho tanta certeza, ok. Quero dizer… rapazes pensam mais em sexo do que as garotas, certo? Não é um fato?
  • Vidic: Como pesquisador, o que você observou?
  • Indivíduo 1: Isso significa que ela é mais... como um cara... se ela pensa sobre isso... É por isso que ela é capaz de assassinar. Bem, ok, o negócio é o seguinte, eu não conheço os pensamentos dela. Mas partindo do que está em suas memórias, fisicamente... inquieta. Alguma hesitação. O que ela olhava. Quem ela evitava olhar. As coisas que ela não disse quando eu esperava que ela o fizesse... Se eu tivesse que ADIVINHAR o que significava, eu acharia que ela estava pensando sobre... sexo. Mas eu sou um cara, e eu pensaria nisso, certo? Então o que significa uma mulher agir daquele jeito? Tem que significar mais alguma coisa, não?
  • Vidic: Como usuário da experiência, é capaz de observar com mais clareza do que eu em uma revisão. E sobre... chamar atenção dos homens?
  • Indivíduo 1: Achei que isso seria o mais difícil de lidar. Eu não curto isso, só pra constar. Nem um pouco.
  • Vidic: Sim, eu sei.
  • Indivíduo 1: Mas a maneira com que ela lidava com isso… aconteceu tanto. É... como se você tivesse parado de perceber tudo o que ela faz para evitar. Atravessando a rua. Olhos na nuca. Ela sabia como se virar. Quando ela estava "jogando charme", parecia como... matar. Ou se preparando pra matar. Eu... podemos fazer um intervalo, Sr. Vidic?
  • Vidic: É claro.

[Pausa na gravação]

  • Vidic: Pronto pra ir?
  • Indivíduo 1: Sim.
  • Vidic: Aveline era negra.
  • Indivíduo 1: E branca, por parte de pai.
  • Vidic: Você é sensível quanto a isso.
  • Indivíduo 1: Eu acho. Quero dizer, eu sou branco. Aveline parece negra, então é diferente. Mas você se acostuma com isso, como com o lance de ser mulher. Até que alguém te desacostuma.
  • Vidic: O que quer dizer?
  • Indivíduo 1: Eu não acho que eu nunca tive que pensar muito sobre o que eu estou vestindo ou como estou caminhando. Mas Aveline, é tipo, ela vai a vida toda dela naquele... uniforme.
  • Vidic: As pessoas esperam que ela se comporte de certa forma.
  • Indivíduo 1: Definitivamente. Algumas vezes eu me preocupo se vou escorregar e ficar muito relaxado no depósito, e, não sei… detonar o disfarce dela.
  • Vidic: Você não consegue fazer isso.
  • Indivíduo 1: Eu sei, eu sei, eu só estou assistindo as memórias dela. Não posso mudá-las. Mas... Eu sei. Mas eu vejo, certo? É um risco. É...
  • Vidic: Estressante?
  • Indivíduo 1: Sim. É melhor quando ela sai como Assassina. Andando pelos telhados ou na baía pantanosa. Acho que ela fica mais relaxada assim. Consegue imaginar? Você ficar só relaxado quando vai matar alguém?
  • Vidic: Vamos nos manter nas memórias, não na imaginação. E sobre os escravos?
  • Indivíduo 1: Eles estão, tipo... por toda parte. Isso parece ruim. Escravidão é ruim. Mas ninguém age como se fosse ruim. É divertido quando ela liberta os escravos. Deveria ser divertido?
  • Vidic: Não estamos procurando pelo que "deveria ser", foque no que "é".

[Estática pesada]

  • Indivíduo 1: É bem difícil de falar sobre tudo isso.

[O áudio termina, cortando para estática]

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